10/08/2017

Ademir Rodrigues dos Santos

Filho ilustre de Chapecó brilhou nos gramados dos vales

Filho ilustre de Chapecó brilhou nos gramados dos vales
Ademir Rodrigues dos Santos, 36 anos, é um dos jogadores mais conhecidos dentro do futebol amador. O currículo é de dar inveja a qualquer adversário
Bastam alguns minutos de conversa para entender por que ele teve muitas portas abertas ao longo da sua carreira como jogador de futebol. Com humildade e sempre com um sorriso estampado no rosto, Ademir Rodrigues dos Santos, 36 anos, mostra que, além de ser um gigante dos gramados na posição de atacante, é exemplo a ser seguido pelos que estão ainda no início da sua história no mundo da bola.
Natural de Chapecó, em Santa Catarina, com 7 anos, Ademir já jogava bola na escolinha da Chapecoense, participava dos campeonatos entre bairros e das competições escolares. “Tinha, também, os regionais e estaduais da categoria infantil.” Após integrar a seleção de Chapecó, o menino teve a sua primeira grande oportunidade. Ele foi para os Estados Unidos da América (EUA), em 1996, momento em que ficou campeão de um torneio em Los Angeles, na Califórnia. “A escolinha de Chapecó representava o Brasil”, conta.
No retorno ao Brasil, o garoto foi fazer testes no Grêmio. “Fiquei três semanas em Porto Alegre, mas, como nasceu meu filho, Luís Eduardo, larguei tudo e voltei para Chapecó.” Em Santa Catarina, Ademir jogou durante dois meses no Atlético, quando resolveu ir para São Paulo, na virada de 1997 para 1998. “Lá, eu conheci meu grande amigo Maravilha.” Na capital paulistana, o jovem faturou o título de campeão da Taça Nike, do torneio Brasil/Japão e Copa Votorantim. “Como campeões da Taça Nike, fomos para a Argentina jogar, mas caímos fora na semifinal.”
Passagem pelo São Paulo
Por pouco mais de um ano, Ademir vestiu a camisa do São Paulo. Como era menor de idade, saiu de Chapecó sob a responsabilidade do empresário, Leonor Link. “Eu seria vendido para o São Paulo. Fizeram uma proposta para mim, para o Maravilha e para o goleiro do time. Na época, seriam R$ 25 mil por cada um, mas o empresário queria mais e não houve acordo.”
Então, segundo Ademir, o acordo era que ele retornaria para o Grêmio. “Como nada aconteceu, larguei o empresário e fui para o Paraná disputar o campeonato da cidade em um time de empresários.” Mas, antes disso, teve uma rápida passagem pelos juniores do Guarani de Venâncio Aires.
Após, a convite do amigo Maravilha, Ademir foi para Santa Cruz do Sul atuar no futebol amador, nos anos de 1999 e 2000. “Joguei no Palmeiras, Boa Vista, Juventude, Seival, Flamengo, Juventude e Cruzeiro.” Tempo depois, o jovem atleta resolveu voltar para o profissional, momento em que foi para os juniores do Santa Cruz, onde ficou durante oito anos. “Jogamos todos os estaduais, Gauchão, em que fui o artilheiro do clube, além de ficarmos com o título da Taça Flores da Cunha e, eu, com a artilharia, ao fazer dez gols.”
Da base ao time profissional
Em 2001, Ademir passou a integrar o time profissional do Santa Cruz. Na época, Benítez, ex-goleiro do Internacional, queria ser o seu empresário, mas como Leonor tinha 50% do seu passe e os outros 50% eram do clube, mais uma vez não foi possível fechar um negócio que poderia alavancar a sua carreira como atleta. Assim, o atleta permaneceu no time até 2003. “Foi um momento muito importante, em que tive a oportunidade de jogar com Vacaria, Chicão, entre outros, além de ser treinado pelo Poletto.”
Ademir recorda que tinha como exemplo o futebol de Paulo Roberto. “Ele fazia muitos gols de cabeça, era o cara do Galo. Além de fazedor de gols, me ensinou muito dentro do clube.” Também destaca as amizades que fez com o paraguaio Sanabria, com Toninho Paraná, Patrick e Jorge Antônio. “Pude estar com grandes jogadores.” No Gauchão, ele recorda das atuações contra o Caxias, Passo Fundo e Santo Ângelo. “Nem sempre pegava lista.”
Nesse período, Ademir conta que jogou com dores, pois estava com problema no menisco. “Joguei todo o Campeonato Gaúcho machucado, depois fiz a cirurgia.” Por isso e também por ganhar mais dinheiro no amador, ele optou por trabalhar e encarar o futebol como uma renda extra. “Em 2003, liguei para a minha família ir morar comigo em Santa Cruz do Sul.”
Na época, Ademir vendia pneus e passou a jogar futebol amador em Lajeado e em Santa Cruz do Sul. Antes disso, em 2002, vestiu a camisa do Campestre e foi campeão no Regional.
História no futebol amador
Quando Ademir decidiu focar todos os seus esforços no amador, ele não perdeu nenhuma oportunidade e, graças ao seu comprometimento, conseguiu comprar o terreno onde mora com a esposa Ana Paula Schmitz, 35 anos, e com os filhos, Luís Eduardo, 19 anos, e Maria Eduarda, 5 anos, na cidade de Lajeado.
Ele vestiu a camisa do Carneiros, Campestre, São Cristóvão, Igrejinha, Canarinho e Minuano de Canudos do Vale; Canabarrense e Esperança de Teutônia; Botafogo, Gaúcho e Concórdia de Roca Sales; Brasil de Marques de Souza; Juventude de Ibirubá; Linha Moisés e Linha Data de Boqueirão do Leão; Rui Barbosa de Arroio do Meio; Juventude de Não-Me-Toque; Fluminense de Westfália; Juventude de Monte Alverne; Boa Vista, Palmeiras, Flamengo, Seival e Cruzeiro de Santa Cruz do Sul; Aliança e Juventude de Linha Arlindo.
Ademir recorda que quando morava em Santa Cruz viajava para jogar em Lajeado e, a partir de 2004, quando se mudou com a família para o Vale do Taquari, passou a fazer o contrário, viajar para Santa Cruz a fim de atuar nos campeonatos amadores do Vale do Rio Pardo. “Sempre foi ruim ficar para lá e para cá, mas era necessário.” Sua vinda para Lajeado só foi possível porque, segundo o atleta, o União de Carneiros o auxiliou em tudo o que precisava. “O Carneiros é a minha segunda casa. Sou muito agradecido ao Márcio, ao Guido (in memoriam) e ao Valmor. Eles me abraçaram mesmo, com casa, trabalho e com um time para jogar.”
O agora
Ademir diz que não pensa em aposentadoria, mas faz questão de frisar que não joga mais com a mesma intensidade. “Agora é bem diferente. Jogo por lazer.” O atleta diz que não guarda nenhuma mágoa do passado, mesmo sabendo que sua história no mundo do futebol profissional não deu certo por conta dos empresários. “Agradeço por ter minha família e a Deus. Não me arrependo de nada do que fiz, pois tudo foi aprendizado.”
Atualmente, Ademir trabalha como segurança no Cartório Klein e, quando não está em algum programa com a família, bate uma bolinha com os colegas de empresa, com o time veterano do Coroas Americano ou no União de Carneiros. “Onde tenho convite, eu jogo.” O atacante diz que no futebol construiu amizades. “O futebol foi o começo de tudo, o início da minha história de vida.”
O jogador cita o falecimento da mãe Tereza como o momento mais triste da sua carreira nos gramados. Já o mais feliz foi poder jogar ao lado do filho Dudu, quando Ademir atuou no time aspirante do São Cristóvão. “Ele é um bom goleiro, já conquistou várias medalhas. Sempre incentivo, mas procuro deixá-lo decidir o que for melhor.”
Títulos do Ademir
Campeão regional com o Campestre, em 2002;
Campeão regional com o Rui Barbosa, em 2005 (invicto);
Campeão regional com o União de Carneiros, em 2010;
Campeão estadual com o Canabarrense, em 2002;
Campeão municipal de Santa Cruz do Sul com o Juventude de Linha Arlindo;
Campeão municipal de Canudos do Vale com o Canarinho;
Campeão municipal de Bom Retiro do Sul com o Floriano;
Campeão municipal de Roca Sales com o Gaúcho;
Campeão municipal de Westfália com o Fluminense;
Campeão municipal de Roca Sales com o Botafogo;
Campeão regional juvenil de Santa Catarina com o São Carlos;
Cinco vezes campeão municipal de Lajeado com o União de Carneiros;
Campeão regional do futebol amador de Chapecó;
Campeão da Taça Flores da Cunha;
Campeão infantil da III Copa Brasil (98) Votorantim, Nike (98), Brasil/Japão (98) Estados Unidos (96);
Cinco vezes campeão da Primeira Divisão do Campeonato Interno de Minifutebol do CTC com o Só Bala;
Campeão da Segunda Divisão do Campeonato Interno de Minifutebol do CTC com o Cosmos;
Campeão da Terceira Divisão do Campeonato Interno de Minifutebol do CTC com o Cosmos;
Campeão da Primeira Divisão do Campeonato Interno de Minifutebol do CTC com o Galera;
Campeão do Campeonato Veterano do CTC com o Galera;
Campeão veterano da Copa de Verão do Sete com o Viracopos;
Duas vezes o atleta-destaque, uma vez o seleção (posição de atacante) e goleador da Primeira Divisão do Campeonato Interno de Minifutebol do CTC com o Só Bala;
Craque Jornal A Hora e Rádio Independente;
Melhor em campo no Municipal de Santa Cruz do Sul pela Gazeta;
Craque do jogo no Regional de 2005;
Seleção do Campeonato em 2002 pelo Campestre;
Atleta-destaque do Municipal de 2004 com o União de Carneiros;
Goleador do Municipal de Roca Sales em 2008;
Goleador do Municipal de Lajeado em 2003 e 2004 com o União de Carneiros;
Goleador do Municipal de Bom Retiro do Sul com o Floriano
Fonte texto: Carolina Gasparotto