14/08/2017

Wagner Luceno

A dança de salão como profissão e estilo de vida

A dança de salão como profissão e estilo de vida
A dança apresentou o mundo a Wagner Luceno, que agarrou a oportunidade e hoje planeja impulsionar essa oportunidade a outros jovens
Depois de aproximadamente 5 anos viajando pelo mundo, em cruzeiros de navio de luxo, Wagner Luceno (45) retorna ao Vale do Taquari com novos projetos e uma bagagem cultural diferenciada.
Wagner é acadêmico de Educação Física e professor de danças de salão. Sua, esposa, Chirlei, é formada em Ed. Física pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). Sua paixão é o futebol e a dança. Na década de 90 jogava os campeonatos amadores de Estrela e arredores, campeonatos internos da Soges, até 2005, quando abriu mão do esporte em função de sua profissão, a dança de salão. A decisão foi tomada como precaução às lesões que pudessem ocorrer, pois o futebol é um esporte de alto impacto, e Luceno não poderia correr o risco de machucar um joelho ou tornozelo. Por isso, continua a jogar o futebol entre amigos, como divertimento e prazer, mas “a dança foi o que mais me proporcionou felicidade na vida, e hoje ainda me proporciona”, revela Luceno.
Como tudo começou
A dança entrou na vida de Wagner através do tradicionalismo gaúcho. “Com 14 anos eu já dançava no CTG da escola, no Vidal de Negreiros. Um pouco mais velho, e bem mais alto, me convidaram para dançar no CTG Estrela do Rio Grande, e foi ali que peguei gosto pelo tradicionalismo e por sua arte”, conta o professor. Wagner explica que cresceu muito dentro deste CTG. Depois disso, passou a atuar no CTG Bento Gonçalves, de Lajeado. Dançava a invernada artística, chula, malambo argentino com boleadeiras, tocava violão e cantava, declamava poesia, o que o tornou um artista completo.
Seguiu no CTG até meados de 1995, quando foi para o nordeste do país, realizar uma sequência de shows. Lá recebeu convites para trabalhar, o que o fez tomar a decisão de morar no Recife, onde permaneceu por 6 anos, de 1995 a 2001, quando retornou ao Rio Grande do Sul. “E foi nesse momento que a dança de salão entrou na minha vida. Quando fui para o Recife, adquiri muito conhecimento, por intermédios de professores”, explica.
No Recife, a dança mais comum é o forró, e Wagner foi buscando mais informações sobre este estilo de dança, e “aos poucos fui entrando para este mundo mágico que é a dança de salão, por meio das danças populares como o forró e o bolero até me apaixonar pelas danças latinas, como a salsa, merengue, bachata, e fui aprendendo a dançar, no Centro de Danças do Recife, e também na escola “Gafieira Etc & Tal”, do professor Jaime Arôxa”. Foi em 1996 que Luceno começou a participar das aulas nestas escolas, onde passou a ser monitor, e em 1999 se tornou professor.
No período de 2001 a 2004, o professor retornou a Lajeado, mas não para atuar como na dança, e sim para trabalhar na área da informática, que era sua profissão. Mas, também nesta época, começou a ensinar sua cunhada Júlia a dançar as modalidades da dança de salão, o que o levou, em 2005, a abrir sua própria escola, a My Way Companhia de Dança.
Foi a partir daí que seu projeto foi tomando outras proporções. Em 2006 já havia se tornado referência na região na área da dança de salão.
Dificuldades para conquistar seu espaço; “Claro que foi difícil no início, porque as pessoas não acreditavam muito. Mas eu precisava mostrar meu trabalho e procurava sempre saber das programações de bailes e festas em Estrela e Lajeado, e em algum dos clubes. Com isso, eu me identificava como professor de dança e oferecia aos organizadores para fazer uma apresentação, e dançar no início dos eventos. Com a permissão concedida, eu ia até o local e dançava. Depois disso, explicava que estava começando e falava um pouco sobre as aulas de dança. A partir daí as pessoas foram começando a gostar, começou a vir gente de toda a parte e aos poucos eu fui ganhando espaço em toda a região”, relatou Wagner.
O professor de dança explicou que seu diferencial foi não ter estabelecido uma estrutura física para a escola de dança, e sim ir de encontro aos alunos nas cidades da região do Vale do Taquari. Dava aulas em Venâncio Aires, na Sova ou no Clube Leituras; em Lajeado no Clube Tiro e Caça, em Encantado no Clube Comercial; em Teutônia, Bom Retiro do Sul, entre outras cidades. E seguiu atuando desta forma, até que, aos poucos, toda a região passou a conhecer e reconhecer a My Way e o professor Wagner, como professor de dança de salão.
Diferencial como professor
Wagner Luceno destaca que sempre optou por novidades e dinâmicas de aula muito diferenciadas. “Sempre fui muito arrojado na forma de trabalhar. Aplico uma didática de aula que aprendi no período em que morei no nordeste. Planejo uma aula divertida, descontraída, e uso as situações do dia-a-dia como argumento para ensinar a dança para as pessoas, fazendo com que elas percebam que a dança é algo tão natural quanto caminhar. A pessoa só precisa ter o ritmo no corpo, e isso você aprende nas aulas de dança”, exemplifica o dançarino.
O professor lembra que, com a experiência que foi adquirindo, ele teve a oportunidade de ajudar muitos casais a resolverem conflitos conjugais, pois com a dança, foi possível ajudar a melhorar a relação, reaproximar e unir esses casais novamente, o que o deixou muito feliz. Além de, com a dança, ajudar a juntar tantos outros novos casais, que hoje estão casados, e seguem participando das aulas.
Quanto a formação acadêmica, o dançarino retomou a graduação em Educação Física, que estava trancada há 5 anos, em decorrência das viagens em cruzeiros que fez neste período. Decidiu retomar os estudos para aliar o conhecimento acadêmico ao seu conhecimento prático com a dança de salão.
Reconhecimento nacional
O ano de 2008 foi um divisor de águas na vida profissional de Wagner. Um ano muito difícil e desafiador, pois nesse ano o professor decidiu promover um evento de grande porte na região, para o interior do estado, mas que se tornasse referência na dança de salão para o estado inteiro.
O dançarino realizou o “Star Dance”, um evento de dança de salão, com aulas para quem já sabia dançar e para professores de todo o Rio Grande do Sul. “Para a minha surpresa, vieram professores de todo o Brasil para Estrela. Onde eu pude trazer, na época, os melhores professores Argentinos para ensinar aulas de tango; os melhores professores de salsa que existiam no Brasil, do Rio de Janeiro; professores de samba, e a atração principal, que foi o Carlinhos de Jesus”, conta.
A partir deste evento o My Way obteve um reconhecimento e crescimento ainda maior, sempre vinculado a imagem de Luceno. “E desde então sempre consegui viver e me sustentar com os recursos da dança, que é algo bem difícil no Brasil, sobreviver da arte, sem ter que complementar renda com outro emprego”, destaca Wagner.
Entretenimento em Navios de Cruzeiro de luxo
E quando o artista estava em uma situação confortável, com muitos de seus objetivos atingidos, surgiu um novo desafio em sua vida, por intermédio de muitos amigos e contatos conquistados no decorrer de sua carreira, como Carlinhos de Jesus e Jaime Arôxa. “E a minha inquietação por me desafiar sempre mais, fez com que eu aceitasse, em 2012, a indicação de um professor de São Paulo, o Chocolate (Campeão da Dança dos Famosos), para trabalhar em uma empresa italiana, a Costa Cruzeiro, em navios de cruzeiro, com a finalidade de dar aulas de dança e fazer shows”, conta Luceno.
O artista aceitou prontamente a oportunidade, em seguida realizou as entrevistas com a empresa italiana, mesmo sem falar o idioma na época, mas pôde se defender com o inglês.
No final do ano de 2012 ocorreram as entrevistas, e em janeiro de 2013 Wagner embarcou pela primeira vez para trabalhar na Europa em navios de cruzeiro, juntamente com sua esposa, Chirlei Losekann.
A partir de 2013 o casal teve a oportunidade de trabalhar sempre junto nos navios. Fizeram quatro temporadas no Verão do Mediterrâneo, trabalharam na Ásia, China, Japão e Coreia do Sul, e em 2014 realizaram a primeira volta ao mundo, literalmente, pois são 4 meses de viagem, com os mesmos passageiros. Essa viagem foi iniciada na Itália, saindo pelo Mediterrâneo, atravessou o oceano Atlântico, Caribe, Canal do Panamá, depois ao México e Estados Unidos pelo Oceano Pacífico. Ao sair dos EUA passaram pelo Havaí, seguindo pela Polinésia, Nova Zelândia, Austrália, Índia, Emirados Árabes, e todo o trajeto pelo Oceano Índico.
Após, entraram pelo canal de Suez e retornaram ao Mar Mediterrâneo, finalizando o cruzeiro. “Como os contratos são de no mínimo 8 meses, trocamos de navio, um ainda maior desta vez, e concluímos o contrato trabalhando no verão do Mediterrâneo”, explica Wagner.
Em 2015, o casal foi chamado para fazer sua segunda volta ao mundo. “Embarcamos em Naha Okinawa, uma ilha japonesa, e fizemos China, Japão e Coréia do Sul por um mês, para nos ambientarmos. Depois disso, partimos para a volta ao mundo com os chineses”, conta Luceno.
O dançarino ressalta que “essas viagens pelo mundo nos proporcionaram uma enorme experiência com a dança, porque realizamos shows no teatro, em conjunto com equipes que estavam no navio. Dançamos com bailarinos Sul Africanos, Russos, Holandeses, e diversas outras nacionalidades. A adaptação tinha que ser sempre muito rápida, além de termos que ser muito flexíveis nas questões que envolviam a dança, no sentido de ter que se adaptar rapidamente a outros padrões”.
Essa experiência também resultou em uma lista muito grande de contatos na Europa, principalmente com professores de outras escolas, com pessoas influentes, políticos. “Hoje nós temos amigos espalhados pelo mundo inteiro, mantemos contato pelas redes sociais e com a possibilidade de poder viajar para qualquer país, tendo onde se hospedar”, revela Luceno.
A dança mudou a sua vida?
Com certeza a dança mudou completamente a vida deste casal. “Todos temos vontades, e acredito que a maioria tem o desejo de conhecer outros povos, países, culturas, e nós tivemos a oportunidade de fazer isso tudo, e ainda ganhando dinheiro. Claro que foi ao custo de muito suor e energia, mas o reconhecimento dos passageiros a cada fim de cruzeiro que trabalhamos, não tem preço. Assim como dos nossos superiores dos navios, pois o retorno foi sempre muito positivo”, conta o dançarino.
Espetáculo que marcou a sua vida
Wagner relatou que não gosta muito dos concursos de danças, pois acredita que eles tiram a naturalidade do artista, devido a tensão que a pessoa sente por saber que está sendo julgada, além de ter em mente que não pode errar. Mesmo assim participou e venceu alguns deles.
O espetáculo que marcou sua vida chamava-se “Viva Brasil! Uma Ópera Popular”, realizado no Rio de Janeiro, em 2007. Neste evento Wagner atuou como coreógrafo das danças de influência europeia e das danças gaúchas, a convite de um ídolo em sua profissão, Jaime Arôxa, considerado um mestre da dança de salão e o homem que mais ensinou professores no Brasil. Este convite foi uma honra para Wagner, por se tratar de um professor renomado de alto gabarito.
Planos para o Futuro
Wagner e Chirlei desembarcaram no Brasil em dezembro de 2016 decididos a não embarcar novamente em um cruzeiro, a não ser que fosse realmente necessário. Isso em virtude do cansaço e desgaste de trabalhar à bordo de um navio com 5 mil passageiros por tanto tempo.
Foram quase 5 anos cumprindo longos contratos, que exigiam excelência no atendimento aos passageiros, independente se o profissional estivesse cansado, doente, ou qualquer outra indisposição, o artista é contratado para divertir os clientes, e não era aceito nada menos.
O casal pretende agora, utilizar todo o conhecimento adquirido nestes anos para trabalhar aqui na região do Vale e no estado. Para isso, desligaram-se da My Way (que continua sob a direção dos professores Daniel e Ale Danielly), e abriram uma nova empresa, com foco direcionado, principalmente, à área de entretenimento social e corporativo, cursos e palestras, que vão além do ensino da dança de salão, voltado também a disseminação dos conhecimentos adquiridos na prática e convivência com outros povos e culturas, a fim de apresentar a região uma nova forma de trabalhar com o entretenimento.
Wagner e a esposa criaram a “Libertá - Dança, Cultura e Arte”, com uma área de atuação que se expande e ramifica em pelo menos 5 atividade diferentes.
Projetos que estão em elaboração
No momento, o casal já trabalha em um ciclo de palestras que pretendem apresentar nas escolas, intitulado como “O mundo que eu vi”, cujo público-alvo são crianças entre 8 e 12 anos e jovens dos 12 aos 16/17 anos. Outras palestras estão sendo montadas para trabalhar com público de universidades, assim como a execução de atividades diferenciadas em eventos.
Em uma breve síntese, o ciclo de palestras tratará de uma abordagem do mundo a partir do ponto de vista que o casal tem dos lugares e países que conheceram. Nas escolas, o objetivo é vincular a experiência prática que adquiriram (com recursos audiovisuais) ao conteúdo da grade curricular relacionada ao tema, como geografia, história, religião, comunicação social, entre outros.
Com o público de até 12 anos, o projeto será lúdico e divertido. “Vamos receber a criançada e embarcar eles para uma viagem no nosso navio. Eles vão entrar num mundo fantasioso de um navio de cruzeiro e viajar conosco nessas histórias. A intenção é falar também sobre as curiosidades sobre os países e da vida à bordo.
Para os jovens de 12 à 16/17 anos, vamos aprofundar na áreas de história e geografia, assim como estimular a conclusão dos estudos e o domínio de outro idioma, como o inglês. “As oportunidades estão por aí, e podem aparecer a qualquer momento, e as pessoas só precisam estar preparadas para quando elas aparecerem”, explica Luceno.
Para as universidades haverá um ciclo de palestras diferenciadas, onde o objetivo é trabalhar com alunos da pedagogia, educação física, comércio exterior, turismo e hotelaria, sempre relacionando a área de ensino à experiência vivenciada pelo casal.
A intenção é apresentar o projeto às prefeituras da região, a fim de inicia-lo nas escolas municipais, e depois expandir o ciclo às escolas estaduais e particulares.
Outro projeto, já desenvolvido em 2014, que Wagner pretende retomar é o curso de formação de jovens para trabalhar em navios, na área do entretenimento. “Foi um protótipo, digamos assim, e deu muito certo. Dos 12 formados naquele curso, 10 já estão embarcados, e agora pretendemos retomar esses cursos, que envolvem teoria e prática, com duração de no mínimo 4 dias, onde nós ensinamos jovens maiores de 18 anos, como é o dia a dia à bordo de um navio, como funciona o trabalho de um animador. Aos experientes na área da dança, ensinaremos como funciona o trabalho de um dancing instructor. O objetivo é aumentar as possibilidades desses jovens de embarcar em uma nova vida, ganhando em dólar e conhecendo o mundo como a gente”, explica Luceno.
O principal projeto, já em execução, traz para a região uma nova abordagem na forma de trabalhar com a área de animação e entretenimento em eventos sociais e corporativos, que vão desde a elaboração de coreografias para noivos em casamentos, até a animação da festa com os profissionais da empresa Libertá, que oferece um trabalho inovador, que envolve interação com os convidados e a dança.
Em eventos corporativos as estratégias vão desde a dança, palestras, apresentações, interação com o público, jogos interativos e happy hour. As opções variam de acordo com o tipo de festa e com a atração ou interação que será solicitada pelo contratante.
Fonte texto: Alana Gausmann Flores